A chama olímpica da amizade

A chama olímpica da amizade

(Texto Publicado na revista “TAM- Nas Nuvens”)

 

photo for Jeff Divine and his diferent Brazillian
“Feche os olhos e agradeça!”

 

 

Para alguém que viaja tanto como eu, solidão em algum grau sempre foi um fato da vida. Mas mesmo Robinson Crusoe ou qualquer literautra radical sobre se estar só ensina que a solidão plena é impossível, afinal carregamos outros em nossa memória, história, e horizontes. Tenho um grupo de amigos que carrego sempre nessas formas, especialmente nas viagens de surfe. Recentemente, no entanto, estiveram todos em carne e osso em uma delas.

 

São amigos com os quais cresci e passei os anos dourados da vida. São os moleques que se apaixonaram pelo surfe junto comigo, mas que tornaram-se adultos bastante ocupados em suas variadas profissões. São os caras que recebem em primeira mão meus relatos sobre países em guerra, e os primeiros que lembro e sinto falta quando surfo em algum tranquilo fim de mundo. A cada quatro anos temos a nossa redenção, e viajamos juntos até o outro lado do planeta, na Indonésia, onde ficamos a bordo de um confortável barco, sem internet ou contato nenhum com a civilização. São duas semanas cercados apenas de ondas perfeitas, e da companhia um do outro.

 

O intervalo ao estilo olímpico é a compensação que eles precisam para legitimar suas ausências de seus negócios e familias. O organizador de tudo é o nosso caçula, e o que tem mais motivos para não escapar de casa. Para evitar delação vamos chamá-lo de Pedro. Pedro casou-se bem novo, e o jovem casal que sempre se desdobrou hoje já tem dois lindos filhos. Foi um orgulho pra gente ver como fez sua vida dar certo, mas também é um gosto enorme ver sua empolgação de criança durante a viagem. Isso resume a importância do esporte e de uns dias sagrados só com os melhores amigos, certo?

 

A edição desse ano foi perfeita. Do barco, ao tempo, ondas surfadas e peixes pescados, tudo esteve impecável e todos viramos crianças. E o que fica de melhor são as lembranças com os amigos que amo. Mal posso esperar a próxima.

Bruno Pesca

 

 

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